Mostrava-se madura por fora, mas tinha uma criança em seu interior. Mostrava-se forte por fora, mas era tão frágil e delicada quanto uma rosa. Mostrava-se fria, mas dentro de si batia um coração que só queria ser amado. Zoava daqueles casais apaixonados e bobos, sendo que morria de vontade de experimentar o tal do amor. Um amor que lhe roubasse suspiros e lhe tirasse o fôlego. Era diferente de outras garotas que conhecia, e orgulha-se disso. Não era fofinha, bonitinha ou engraçadinha. Volta e meia tinha suas crises de choro, ou crises de alegria. Seu humor variava de acordo com as pessoas. Era um verdadeiro enigma a ser descifrado. E como todo enigma, ela tinha os seus encantamentos. Tinha lá seus segredos que não arriscava contar a ninguém. Mas não era satisfeita consigo mesma. Cobrava-se muito o tempo inteiro. Não gostava das coisas que fazia, ou do seu reflexo do espelho. Não gostava de si mesma. Sofria quieta, calada, sozinha. Pois gostava de ficar sozinha. Gostava de ficar com a solidão. Pessoas são complicadas demais. E de problemas já bastava ela.